Janela que me sopra
Os viços da juventude,
O saber dos outonos,
O choro dos rebentos...
Leve afora meus soluços,
Bagunce minhas certezas,
Embarace minha letras
E as faça mais alegres,
Pois sorrisos já não tenho.
Nem o vulto da esperança,
Nem o novo das manhãs,
Nem as noites que serenam
Aliviam o rebuliço
Que me faz sangrar em choro.
Busco aquilo que não quero
E me entrego à loucura.
Vivo aqui, no labirinto,
Torto, sujo, aparente.
Pudera eu tomar-lhe o sopro,
fazer-me cinzas de papel
E me projetar à tempestade.
Meus olhos de criança brilham,
Minhas lembranças iluminam,
Minhas pegadas cicatrizam.
Viva eu, homem de cinzas!
Que não precisa de caminhos,
Que leva ao vento o seu destino,
Que mente a si mesmo
Olhando da janela.
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Um comentário:
Como vc eu também uso sempre a metáfora das janelas, janelas da alma, da esperança, das cortinas, do vento, da luz que entra...linda esta Davi, parabéns ! Atualize mais e nunca desista dos seus sonhos de poeta ! Beijos e obrigada por seus comentários. Estou começando e a opinião de amigos é o que me dá mais coragem pra continuar.Um tchau poético ! Adri
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