segunda-feira, 16 de abril de 2007

Cidade dos Ratos

As pessoas passam por largas avenidas.

Apressadas, descontentes, maquinadas.

Vão e vêm, multiplicando-se.

Os automóveis refletem a palidez.

Os arranha-céus se esbarram,

Agridem-se sob o céu de cinzas.

Formam um jardim às avessas,

De tulipas envidraçadas e

Colibris de aço.

O granito se eleva da terra

Ousando alçar os céus.

A chuva cai, sem portanto repousar:

Vai agitar a cidade submersa,

Habitada por outros ratos.

Talvez mais humanos que nossos semelhantes.

Valem estes, menos que um naco de queijo.

Amontoam-se entre os cruzamentos,

Empilham-se nos elevadores,

Reviram-se nos becos.

São vermes brotando do asfalto

Com suas almas malcheirosas

E suas verdades afins.

Nascemos assim, e o esgoto

Que alimenta nossos umbigos

Corre a céu aberto.

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