As pessoas passam por largas avenidas.
Apressadas, descontentes, maquinadas.
Vão e vêm, multiplicando-se.
Os automóveis refletem a palidez.
Os arranha-céus se esbarram,
Agridem-se sob o céu de cinzas.
Formam um jardim às avessas,
De tulipas envidraçadas e
Colibris de aço.
O granito se eleva da terra
Ousando alçar os céus.
A chuva cai, sem portanto repousar:
Vai agitar a cidade submersa,
Habitada por outros ratos.
Talvez mais humanos que nossos semelhantes.
Valem estes, menos que um naco de queijo.
Amontoam-se entre os cruzamentos,
Empilham-se nos elevadores,
Reviram-se nos becos.
São vermes brotando do asfalto
Com suas almas malcheirosas
E suas verdades afins.
Nascemos assim, e o esgoto
Que alimenta nossos umbigos
Corre a céu aberto.
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