segunda-feira, 16 de abril de 2007

Céu de Cinzas

Janela que me sopra

Os viços da juventude,

O saber dos outonos,

O choro dos rebentos...

Leve afora meus soluços,

Bagunce minhas certezas,

Embarace minha letras

E as faça mais alegres,

Pois sorrisos já não tenho.

Nem o vulto da esperança,

Nem o novo das manhãs,

Nem as noites que serenam

Aliviam o rebuliço

Que me faz sangrar em choro.



Busco aquilo que não quero

E me entrego à loucura.

Vivo aqui, no labirinto,

Torto, sujo, aparente.

Pudera eu tomar-lhe o sopro,

fazer-me cinzas de papel

E me projetar à tempestade.

Meus olhos de criança brilham,

Minhas lembranças iluminam,

Minhas pegadas cicatrizam.



Viva eu, homem de cinzas!

Que não precisa de caminhos,

Que leva ao vento o seu destino,

Que mente a si mesmo

Olhando da janela.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como vc eu também uso sempre a metáfora das janelas, janelas da alma, da esperança, das cortinas, do vento, da luz que entra...linda esta Davi, parabéns ! Atualize mais e nunca desista dos seus sonhos de poeta ! Beijos e obrigada por seus comentários. Estou começando e a opinião de amigos é o que me dá mais coragem pra continuar.Um tchau poético ! Adri