As máscaras foram às chamas.
A negra fumaça passou em branco.
Restou-me virar e partir.
Os velhos fardos, ao fogo,
Aliviaram-me os ombros.
As chamas secaram os olhos,
Os prantos, os sonhos.
As árvores vestiam-se pálidas,
Ocas, quietas.
Passei entre folhas e sombras.
Meus documentos,
Por sobre as costas,
Foram à lama.
Despi meu corpo,
Tirei meus óculos,
Olhei minhas mãos:
Tão estranhas,
Tão vazias.
À frente um rio.
Andei.
Andei.
Bebi e me deixei beber.
O leito me tragou sem vontade.
Os peixes, curiosos,
Mordiscavam minhas pernas.
O rio, preguiçoso,
Enfim me engoliu.
E eu, enfim,
Digeri o que sou.
Para sempre.
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