segunda-feira, 16 de abril de 2007

Para Sempre

As máscaras foram às chamas.

A negra fumaça passou em branco.

Restou-me virar e partir.

Os velhos fardos, ao fogo,

Aliviaram-me os ombros.

As chamas secaram os olhos,

Os prantos, os sonhos.

As árvores vestiam-se pálidas,

Ocas, quietas.

Passei entre folhas e sombras.

Meus documentos,

Por sobre as costas,

Foram à lama.

Despi meu corpo,

Tirei meus óculos,

Olhei minhas mãos:

Tão estranhas,

Tão vazias.

À frente um rio.

Andei.

Andei.

Bebi e me deixei beber.

O leito me tragou sem vontade.

Os peixes, curiosos,

Mordiscavam minhas pernas.

O rio, preguiçoso,

Enfim me engoliu.

E eu, enfim,

Digeri o que sou.

Para sempre.

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